quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O meu mapa não diz fronteiras

Engavetada há muito tempo, dias atrás eis que vem com nova intenção. Agora, com algumas mudanças, "Ciências de Barro". Aos amigos da Tribo Brasil, com sua fineza na escolha de seu repertório e arranjos. Belo time, bela festa, belo baile. Alegria, sorriso de piano no rosto (quantos centímetros tem um sorrisão desses?). É isso. Aprendizagem de tempo, das lembranças que inventamos, das vontades que temos. Chão que não tem fronteiras, idioma de gírias, ditos, sotaques e maneirismos. Brinquedos de coisas sérias, cores de sabores, cheiros de saberes. Calos que vestimos e que nos dão proteção, escudos pro sim e pro não. Respeito que não se impõe e nem se paga. Bobagens poucas que de num muito aproximam distâncias. Senhora dona da casa, deixa a gente brincar. Salve o boi, o congado, os beats eletrônicos, funk de morro, improviso de boteco. Salve a bagunça que nos organiza para o dia e que arrepia. Enquanto o coração bater, haverá música. Enquanto a gente estiver juntos, a gente abusa. Bumba!

Ciências de Barro

Bumba um curioso na barriga da nação
Sêmen pra inventar o futuro
Meu sotaque confuso nas veredas do susto.

Palavras que rasgam o bucho do papel
Minhas ciências de barro colorindo
O amarelo encardido dos livros
A bagunça na folia dos antigos
O garrancho na cerca de vizinhos
Os sabores dos saberes dessa Tribo.

O preto e o branco do tempo e o pó
Suspiros que não me deixam só

O meu mapa não diz fronteiras
Meu respeito não são bandeiras

O meu hino, o meu santo, minha feira.

Minha catequese é tudo que aprendi
Minhas raízes os calos que vesti.