05/01/2010

A mágica inocência do simples viver... ...a trajetória dos sonhos

É pelos sonhos que vamos. Sonhos não envelhecem, e sonhar não é o que resta. Chegado este ano, nenhuma trilha a ser seguida, pois valeu a pena esperar. O que quero tá logo ali, a dois passos daqui. Me transformando em "gigante", parando para olhar, respirar. Seguindo a trajetória torta dos sonhos, a trêmula delícia de minha imaginação sonâmbula que trabalha enquanto durmo, e que desde pequeno me mostra como se voa. Mãos pra baixo, punhos cerrados, joelhos em disparada. Alto e avante. O "Auto do Céu de Lápis de Cor". É isso. 2010, "a trajetória dos sonhos". Rabiscos idos. Idéias vindas.

A trajetória dos sonhos

As lembranças esquecidas da faxina vencida
As imagens rasgadas de um futuro ainda não fabricado
O chão que gira sob os joelhos que nos trazem fé
O medo sem cura de ser amado
As cordas desafinadas de um instrumento de quimeras
O sorriso faceiro do recém curioso
O vôo das cortinas de um palco sem enredo
A espera do "não" em mais uma feérica paixão que se encerra
A queda das cercas de meu caracol imaginário
O odio romântico da busca por um novo mundo
As saudades sentidas por alguém que ainda nem se conhece
O batuque sincero dos bêbados dos velhos tempos
As cores nubladas das roupas de um dia outro alguém
O agrado nas oferendas por mais um obrigado do próprio eu
O último sarro da noite preguiçosa
O perfume do após diversão de horas poucas
As danças ligeiras por entre as vaidades da vida
A identidade roubada por alguém que não se soube amar
As rezas sussurradas na hora do aperto
As flores quase mortas roubadas de jardins do egoísmo
As leituras a longo prazo de livros das mais distantes realidades
O solitário desafio de seguir sozinho
As estrelas contadas em noite de céu vazio
Os amigos de muito tempo neste último minuto
O comentário confuso de interpretação errada
A tragédia da esperança que se cansa
O longo abraço de dois braços de quem se dá e tem carinho
A mágica inocência do simples viver...
...a trajetória dos sonhos!

03/12/2009

O meu mapa não diz fronteiras

Engavetada há muito tempo, dias atrás eis que vem com nova intenção. Agora, com algumas mudanças, "Ciências de Barro". Aos amigos da Tribo Brasil, com sua fineza na escolha de seu repertório e arranjos. Belo time, bela festa, belo baile. Alegria, sorriso de piano no rosto (quantos centímetros tem um sorrisão desses?). É isso. Aprendizagem de tempo, das lembranças que inventamos, das vontades que temos. Chão que não tem fronteiras, idioma de gírias, ditos, sotaques e maneirismos. Brinquedos de coisas sérias, cores de sabores, cheiros de saberes. Calos que vestimos e que nos dão proteção, escudos pro sim e pro não. Respeito que não se impõe e nem se paga. Bobagens poucas que de num muito aproximam distâncias. Senhora dona da casa, deixa a gente brincar. Salve o boi, o congado, os beats eletrônicos, funk de morro, improviso de boteco. Salve a bagunça que nos organiza para o dia e que arrepia. Enquanto o coração bater, haverá música. Enquanto a gente estiver juntos, a gente abusa. Bumba!

Ciências de Barro

Bumba um curioso na barriga da nação
Sêmen pra inventar o futuro
Meu sotaque confuso nas veredas do susto.

Palavras que rasgam o bucho do papel
Minhas ciências de barro colorindo
O amarelo encardido dos livros
A bagunça na folia dos antigos
O garrancho na cerca de vizinhos
Os sabores dos saberes dessa Tribo.

O preto e o branco do tempo e o pó
Suspiros que não me deixam só

O meu mapa não diz fronteiras
Meu respeito não são bandeiras

O meu hino, o meu santo, minha feira.

Minha catequese é tudo que aprendi
Minhas raízes os calos que vesti.

02/11/2009

"não te esquece do beijo da mãe antes de dormir, tá?"

Vontade antiga, mas sem pressa de feitura. Quando com um montante considerável, algum tipo de registro terá. Tava viajando este final de semana, no sábado, pensando nos dias, olhando a corrente sanguínea da estrada e os cabelos da natureza chacoalharem com o vento parado. Durante a semana, queria gritar algo como fosse um "eu quero minha mãe", tamanho desespero de cansaço. Por estes últimos dias, não consigo nem ver pai e mãe. Ainda por esses dias, achei osignificado afetivo em falar "papai" e "mamãe". Coisa bem boa. E pela estrada, pensei em como nossa proteção, tanto a que realmente temos como a que buscamos, várias vezes remete ao umbilical dos sentidos. Posição fetal, essa vontade de gritar, outras tantas. Aí, essa frase de cima. A coisa do beijo como um elo incansável de afeto. Ave-mãe! E como o beijo é como um ponteiro de um relógio onde as horas não se passam ali. Assim é tem tempo. Ou tem beijo. E foi daí que fiz este acalanto, cantiga de ninar, sopro de vento, assobio de destino. Deliciemo-nos.

Acalanto da Saudade dos Sonhos que vem

Vem cá meu filho aqui pra casa
Vem cá meu filho, aqui com papai
Vem cá meu filho, aqui com mamãe
Que o sono de hoje ainda não dorme
O sono de hoje ainda não dorme
Os sonhos de hoje... Ainda vêm!


08/07/2009

Respirando

Guardar as memórias no coração e pensar com o pulmão, necessário.

Pulmão

Enquanto há lembrança há encontro
Coleciono instantes a todo instante.
Só se é porque se conta
E o silêncio da ausência aumenta um ponto.

As nossas saudades e a nossa esperança
Vez em quando sufoco, melhor ir na manha.
O tempo pede freio, um som mais lento
Daqui pra frente acelera e vira bento.

Hoje minha casa é o meu coração
Muito engraçada e cheia de um pouco

É o fiapo de sol
A umidade colada
Os farelos no chão
Minhas tortas palavras.

25/04/2009

Viva São Benedito e o rosário de Maria!

Lanceiro negro, ande na frente, abrindo o caminho e dançando o congado
Na pisada dos pés descalços protegendo esse seu reinado
Ginga rainha, coroa Congo, dançante dançando na rua comprida
Viva São Benedito e também rosário de Maria

23/04/2009

O pôr-do-céu pode ser delícia ou amargo

Pôr-do-céu

Bem-vindas luzes artificiais,
Um rosário de luas elétricas e suspensas
Lâmpadas curiosas de nossas idéias.
No silêncio dos olhos
Orações em ruídos em buzinas alheias
Apressando a licença, distraindo a beleza.
O hálito das estrelas cheira pólvora e flor,
Anuncia:

O pôr-do-céu pode ser delícia ou amargo
O pôr-do-céu pode ser violento ou um agrado

É quando a gente se lembra,
A presença de nossa ausência é como censura trêmula
Na insistência da vida em brilhar.
E ainda que eu confunda o prazer e a sorte
Os atalhos e drogas que aumentam a distância
As horas acontecem fora do relógio,
E a língua é o tempo que se esquece no beijo e não cansa.

E se o sol dançasse feito vela, para quem seriam nossas orações?
E se a lua fosse sempre tímida, como seriam nossas paixões?

15/11/2008

Nostalgia de Incertos Futuros


Pode ser que pés driblem religiões, a tímida mão estendida
A intensa realidade do sofrer
E a cultura pós-vanguarda de ruas que alagam lágrimas.
Pode ser que pés fujam protótipos da estética marginal,
Culpas que não fazem diferença,
Catequeses "exumênicas"
E a intensa presença do medo em nossos hábitos.
A esquina pra um novo despacho hi-tech é ali,
A dois passos da nostalgia de incertos futuros,
Pra gente saber:
O pivete já não é nosso medo de ser.


04/11/2008

A Última Fome

ou O Milagre que rezo todos os dias

À minha mesa, que desça.
A boca que reza
A boca que espera.
A última fome,
Milagre
O meu medo de se seduzir
E do teu verbo não faz minha carne
Um magro sorriso que ri.
Tua ceguidão
E dos restos,
Mesmo assim eu peço a benção
Agradeço:
A última fome é o milagre que espero...



23/10/2008

E já que sonhos não envelhecem...

Sonhar não é o que resta

Os joelhos que nos fazem fé,
Milagres que nos sinceram
As respostas pra seguir em pé.
E distantes do sofá,
Mas distantes do sofá
Sonhar não é o que resta sonhar.

Se sonhar é o que resta,
Me diz o que eu não fiz

Sonhar não é o que resta, sonhar.

Às vezes me sinto refém
Da comodidade do meu céu.
E a ânsia de não errar,
A ânsia de não errar
Do medo de não rezar.

Se sonhar é o que resta,
Me diz o que eu não fiz

Sonhar não é o que resta, sonhar.

Sonhar não é o que resta sonhar.
Às vezes me sinto refém,
Às vezes me sinto refém do meu céu.

19/10/2008

Botão de Flor

A Senhora é uma rosa
Boneca negra é botão de flor
Quando ela se abre pra mim
Canto em seu louvor

03/10/2008

Coroa

A coroa que pus na cabeça nos meus sonhos
A coroa que pus na cabeça nos meus sonhos
Não era de ouro
Não era de espinhos
Eram tuas mãos, fazendo carinho

18/09/2008

Se valeu a pena esperar

Passa tempo, passa o tempo, passatempo. E a gente segue colecionando instantes ou, ao menos, deveríamos. Assim como somos feitos de pequenos átomos, células e outros bichinhos pequeninos e invisíveis, o tempo é assim, feito de instantes e pequenos momentos. Bom quando se sai por aí sem rumo, soprando o próprio rosto como fosse o vento que sugere a liberdade, querendo cansar os pés de qualquer coisa. Nenhuma trilha, se valeu a pena esperar.

Nenhuma Trilha

Se meus dedos tropeçam almas
E distanciam medos,
Uma paz qualquer do teu colo
Vou rezar mais perto do céu.
Se meus dedos excitam lágrimas
E engatilham beijos...

Eu sem iscas, mas com teus vários corações
Vou pescar meu segundo lar.

E como o vento apaga a vela,
Um final sem esperança
Às vezes é a fome em qualquer solidão.

Eu sem iscas, mas com teus vários corações
Quando tudo cinza,
Mesmo nas fotos mais coloridas.

Nenhuma trilha, se valeu a pena esperar.

E se meus dedos mastigam curas
E costuram tempos?
O livro que escrevo o silêncio que ouvi
Amanhã é a voz para mais um amor...

Eu sem tintas, mas com as cores da ilusão
Colorindo esquinas
E essas manhãs escuras.

Nenhuma trilha, se valeu a pena esperar.

09/09/2008

E eu casei com a distância...

Já que o assunto é saudade, esse texto de aproximadamente uns cinco anos atrás vem de encontro ao propósito. Ao contrário de 90% dos meus assopros escritos, este veio em cinco minutos e em uma carga de emoção muito forte. Dá até pra se dizer que a tinta que o escreveu foi uma tinta salgada e benta, cor de lágrima. Distante de casa, numa longínqua Maceió, poucos conhecidos, alguns quilos mais magro, a mulher da minha vida e pela qual atravessei um país aceitando uma outra verdade que não a minha. Talvez, meu primeiro grande amor, minha primeira mulher da minha vida. Talvez a paixão mais sincera que já tive. Talvez o primeiro texto propriamente dito de amor que escrevi. Talvez...

Na Orla dos Sonhos Distantes

Na orla dos sonhos distantes,
O teu beijo de reza
E esse sorriso de circo.

Além nós,
Um dia que não clareia
Dúvidas, remédios...
E o medo de esperançar

No ventre dessa saudade santa,
O breve contágio da rotina
E tuas ciências artesanais

Além pele,
Um pensamento vizinho.
O sono, o sonho, o tempo.
E eu casei com a distância.

08/09/2008

Saudade

Saudade não se explica, apenas sente-se. Já tentou explicar "saudade" para algum gringo?







Mais do que nunca, que as velas acesas dancem seu balé em vossa homenagem. Lá na areia, deixei o meu barco.

02/09/2008

Salve, salve Wally!

Como uma de minhas referências, tenho dois escritos que passeiam bastante pelas idéias de formatação do grande poeta Wally Salomão e o seu "Mel do Melhor". Assopro um deles aí embaixo...

Antigos

Enquanto as rugas se fazem maquiagem do tempo,
O pulmão da cidade respira o ar que vem do concreto
E a poeira do inédito engana o vai-e-vem dos ingênuos.

Enquanto os mais longes céus se tornam cada vez mais rasteiros
E o calor da engenharia queima as línguas do sol,
As feridas do futuro sangram em nosso silêncio.

E os antigos irão sonhar com as manhãs e a luz pra clarear
O hoje que apressa o fim sem admirar o falso milagre.

Enquanto o atrito dos dias carrega o raro descanso da idade,
Os alheios ao encardido entusiasmam o desperdício
E o ânimo farpado dos discretos espinha as nossas vontades.

Enquanto o silêncio das doenças é o ruído dos finados
E as antenas dos distraídos arranham o firmamento mais barato,
Os atrevidos alimentam as utopias do passado.

E os antigos irão sonhar com as manhãs e a luz pra clarear
O hoje que apressa o fim sem admirar o falso milagre.

19/08/2008

Às vezes, eu olho pra dentro de mim

Salve os momentos de quietude, em que podemos respirar aliviados um ar mais puro de intenções e enxergamos em um espelho invisível o reflexo de nossa silhueta borrada e também a colheita dos resultados dos nossos pretéritos. Bom poder isso acontecer. Bom poder sair dessa na manha e na tentativa de uma nova história. Agora, me sinto inteiro. Abaixo, Coração, da qual gosto muito e que tem uma parceria pós poesia com meu bróda Vitor Pirralho.

Coração

Às vezes, eu olho pra dentro de mim
Uma imensidão sem as grades da rara liberdade.
É a guia pra minha proteção e me convence:
É preciso buscar coragem onde o medo tem origem.

Ainda posso ver, eu ainda posso ver.
Perto das palavras poucas
O esquecido, os espinhos, o frágil sorriso que anuncia:
O nosso maior erro é acreditar demais nos acertos.

Às vezes, eu olho pra dentro de mim
E ela vai, quieta, distante do que eu posso entender.
É a tímida beleza que colore a nossa sombra,
Uma construção de instantes sem final.

26/04/2006

Não há distância de terra se o pensamento é vizinho
Rodovias de fato, cruzam-se os caminhos
Sozinhos não somos, sozinho só é
Me conta um segredo na sola do pé
Do ouvido, duvido da fé do indivíduo
Que se disse amigo e passou batido
Deixando esquecido o sentido real
Do subjetivo pulsar arterial
Material paradoxal
Que não te faz bem, faz bem mal.

[Ago/2007]

12/08/2008

Os nossos sonhos não serão vendidos

O que se passou nas nuvens

O que se passou nas nuvens,
E deu pra ver tão perto da gente?
Todas as saudades esquecidas,
Dava até pra sentir que Deus sorria...

E é quando se acendem as luzes das horas,
A gente tem olhos, mas não tem lágrimas.
No bafo das construções
O chão do céu nunca se desenha inteiro
E o suor nas costas é o sorriso suspenso
Das nossas paixões.

Mas depois que o motor da cidade cansar,
E depois que o coração acordar,
Perto de nós, como numa tarde colorida
O céu vai descer, o céu vai desenhar
Em nosso rosto uma nova alegria.

E os nossos sonhos não serão vendidos
As nuvens ainda fazem sentido.

07/08/2008

3 Passarinhos


















06/08/2008

Eu só quero cantar sem o aperto da gola...

Não fosse o emprego que eu procurava tinha tempos, o avanço da tecnologia (o lance agora é MP4 importado e com 4 giga), e o fato de não precisar acordar cedinho e botar o galo pra cantar, mais uma vez essa seria a trilha sonora da minha vida. Modéstia à parte, eu considero essa a minha obra-prima. Àrvore já plantei, filho tem os dos amigos e o livro se escreve como diário, mesmo que nunca ninguém vá ler nada disso tudo. Cada vez mais, pago pau pro Deus-Tempo, e não coloco mais em dúvida o invisível não palpável. Fé, alegria, gentileza e respeito, sempre!

Vez em quando sufoco

A gentileza que eu te trouxe,
Não tem nada a ver com o seu rosto

O sustento que me assusta,
Não tem nada a ver com o meu gosto

Eu acordo cedinho,
Boto o galo pra cantar
Entre a mochila e um café
Um sorriso pra lavar

E no walkman, um som "dasantigas"
E no walkman, a velha cantiga
E no walkman, um refrão do laralárá
E no walkman...

Vez em quando sufoco
O "faz-me-rir" é pouco
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco
Meu algodão surrado
Buzum abarrotado
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco
Minha cara amassada
A marmita virada
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco

O teu abraço de dois braços
É o conforto que eu preciso

Tuas palavras que sinceram
É onde encontro alívio

Eu te estendo a mão,
Mas não é pra esmolar
Entre a rasteira e a valsa,
Te convido pra dançar

E no salão, roda a ciranda
E no salão, gira a infância
E no salão, roda mundo roda gigante
E no salão...

Vez em quando sufoco
O "faz-me-rir" é pouco
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco
Meu algodão surrado
Buzum abarrotado
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco
Minha cara amassada
A marmita virada
Isso me deixa louco
Vez em quando sufoco

04/08/2008

Caindo do céu

Lembrando de algumas festas de congado que já vi por aí, e principalmente o Maçambique, fiquei pensando em quão bonitas são as toadas cantadas durante estas festas. Melodias bonitas, vozes nuas, palavras de uma singeleza incrível e a vontade de que aquele canto ocupe o maior espaço possível, seja no salão, seja no coração, seja na imaginação. Aqui, dois cantos de Maçambique dos quais gosto muito e que, de certa forma, serviram de inspiração para a criação de um canto que fiz:

"Lá do céu vem caindo uma garrafinha de ouro em pó
Quero bem a todo mundo, quem eu amo é Nossa Sinhó"

"Lá no céu correu uma estrela
Bem em ponto de meio-dia
No meio abriu a rosa
Era o Rosário de Maria"

E a minha, chamada "Caindo do céu":

Vem caindo do céu, pedaço de papel
Chuva de picote, bilhetinho de amor
Sereno que canta, retalho de flor
Asas de palavras, lápis de cor

Êêêê céu, desenha nuvem na minha mão
Êêêê céu, sopra vento no coração

25/07/2008

A violência dos beijos

Da série passado aqui e agora, rascunho em caderno na época em que computador, para mim, era distância Brasil-Japão...

Quase que fui eu

Quase que fui eu,
Que da violência dos seus beijos fiz meu acerto
E que espero se ir embora o erro.

Quase que fui eu,
Que dos rascunhos dos teus versos fiz o acalanto da boa noite
E que espero a hora em que o sono se acalme.

Quase que fui eu,
Que dos panos da sua saia fiz minha procissão
E que espero a reza na dança do seu corpo.

Quase que fui eu...
E que dessa liberdade fiz minha prisão
Uma solidão que garranho no peito
A gota de lágrima que alaga
A rosa que espinha os finos dedos que contam o mal-me-quer
As respostas que os homens de amarelo não trazem
O anel que tu me deste e que subiu feito balão ao céu...

Além desses quartos vê o mesmo que eu:
O solitário desafio do amor de gestos simples
A idade do vento que traz um novo momento
A inocência do olhar silencioso
E o sorriso cansado do fim de festa

Quase que fui eu...

28/02/2005

22/07/2008

Da caixa de papelão I

Aproveitando o dia cinza para inúmeras atividades domésticas como lavagem de louça, estudo de triângulo para um forró chameguinho que se aproxima e principalmente a verificação do conteúdo de algumas caixas de papelão lacradas desde o meu retorno para a casa dos meus pais, algumas idéias surgiram. O que inicialmente seria apenas uma "folderteca", agora será a "Leituroteca - Espiral das Letras", idéia a ser utilizada em alguma atividade próxima deste coletivo que se constrói. Depois, entro em detalhes. Mas o que me traz até aqui agora são uns escritos antigos, de aproximadamente dez anos atrás, um tanto curiosos, já raivosos, mas um tanto ingênuos ainda. De qualquer forma, tem coisas interessantes ali, principalmente se tratando de um guri de 15 anos de idade. Pretendo fazer uma série dessas postagens, sem me prender ao período em que elas serão colocadas no ar. Assoprando...

A Pele

E o que a pele sentia
A oração não vai apaziguar
Pode acalmar, pode frustrar
Mas é embaixo das sombras de suas cruzes
Que pivetes e mendigos
Buscam sonhar um "algum lugar"
Ou aliviar exatamente o quê não se vê.
Pode ser aqui, quem sabe até mesmo no
Auto-intitulado primeiro mundo
Que alguma sigla divulgou
E que o ministro encarou como
Guia prático das soluções terceiro mundistas.
Parabéns "América",
Vocês são os fodas novamente
E essa tal cultura imposta
é que renumera inocentes.
Chiapas, quilombo, Palestina, Washington D.C
Sub-divisões geográficas para mapear
O inferno ao norte daqui.
Mas que tenta dominar até
O que ainda não se descobriu.
E o filho da virgem,
Aquela que pariu
Disse que volta
Mas não consegue vale com a esmola.
Duvidando o prometido
Que até está escrito
Mas o capitalismo lhe fez por esquecido.
Deixando para trás alguns valores
Que alguém disse um dia existir
Páscoa, Natal, festa dos santos magros
Esnobando a mesa do mendigo
Virando reciclável no lixo de quem
Não olha para o lado
Mas que faz de tudo pra foder
Quem tá por baixo.
Mendigo esse que pode ser
Até mesmo o tal Jesus
Virando louco mais uma vez
Porque a mídia vai querer assim.
Pode sentir, pode chorar
A oração não vai apaziguar.

18/07/2008

MC Cuzcuz

Minha versão rapper - MC "Amarelo" Cuzcuz - e uma das parcerias com um dos, na minha opinião, mais inventivos e inteligentes MCs do país, e também grande conhecedor de literatura brasileira, VitorPirralho, o rapper antropofágico, diretamente de Maceió. Depois do texto, uns videozinhos do show que o bróda fez em São Paulo no mês passado, dentro da programação do Rumos Itaú Cultural.

Jogo da Verdade

Me derrubam mil vezes, mas eu levanto mil e uma
Tô um passo à frente, sempre, de quem me derruba

Não sou a Xuxa, mas essa música é sópara os baixinhos
Agora denuncio o trabalho infantil
Estatuto da criança e do adolescente
Belas palavras, direitos e deveres
Legislação retórica, aplicação simplória
Ajuda em dia de natal, durante o ano vira as costas
Solidariedade demagógica, hipócrita e nojenta
O ser humano é uma caixa de surpresa
Dorme com o inimigo, senta-se à mesma mesa
Não se espanta com a pobreza
Mas acha um absurdo a violência
Causa e consequência, inevitável
O mundo tá acabando, chama algum herói da Marvel
- E agora quem poderá me defender?
Eu, Vitor Pirralho
Não contavam com a minha astúcia, hein?
Então se segura que a mim tu não derruba.

Tá na hora, tá na hora, na hora de brincar
No jogo da amarelinha tu não pode vacilar
Se no lugar errado tu pisar: bum!
A mina vai estourar
Crianças mutiladas, membros dilacerados
São sempre inocentes os mais prejudicados
Se o jogo pegar fogo, vamo jogar queimado
O jogo pegou fogo, todos eliminados
Crianças no semáforo lavando pára-brisas
Ou nas curtições catando umas latinhas
Nas plantações de cana, que agonia
Não te agonia? Porque não é tua filha
Então, vamo brincar de tarimba
Não entendeu? É o teu na minha
Vou sair da reta
Ê... Gorou o ovo
Nem me pega
Ê... ó eu de novo
Falando pelo povo
Batida salve todos
Quem inventou a infância
Não foi o Criança Esperança
Infância é um dom
Que quando roubado não é nada bom
Educai as crianças para não ser necessário os homens punir
Sampleei Pitágoras quando o li
Minha brincadeira predileta é o jogo da verdade, sim
Rodo o microfone e ele aponta para mim
Tudo bem, é minha vez, não vou mentir
Minha cabeça de bandeja não dou
Resistência até o fim
Integridade e estrutura
A mim tu não derruba
Tu não derruba, sabe por quê?
Deixa eu dizer

Me derrubam mil vezes, mas eu levanto mil e uma
Tô um passo à frente, sempre, de quem me derruba







15/07/2008

Velas acesas dançam o balé da esperança

Cera que derrete feito perna bamba na hora do medo, chama que desenha cortinas da iluminação, cheiro de sorte que se anuncia, oração de ponta da língua que se aprende no último minuto, fogo atalho pro não visto e bem perto da gente.

Quarto dos Santos

Quando o sono cansa
Nesse "quarto de não dormir"
Santos de tinta errada
Beijam o seio da virgem

Oferendando flores
O perfume das luzes
No vestido das cores

Mas nesse quarto não há cantos
E em cada canto tem um santo

Um marginal de sombra vaidosa
Da imagem nublada no peito
O último trago amarrado em silêncio
Na fumaça o anúncio da reza
A voz nua na boca da festa

(Velas acesas dançam o balé da esperança)

Mas nesse quarto não há cantos
E em cada canto tem um santo

08/07/2008

Todos somos negros quando a vida nos diz não


O açougue invisível das cidades, úlcera umbilical da história
Ventre livre para as catequeses avessas da fé
Onde as moscas voam pelo umbral das misérias que batizam os homens.
Um rascunho amassado das memórias, mas todos conseguem ler
Difícil, é querer entender
O leite vermelho alimento do seio "vício e verso" pés pelados
E do tanto faz.

Todos somos negros quando a vida nos diz não

E um pé na África sempre tem quem diz que "tem"
Mas na piada sarro mesmo é a graça do negão
Corrente sanguínea que sufoca a risada espinha da pergunta
"Qual a cor do ladrão?"
Ironia muda que muda o mundo surdo
Quando operário, FM, Copa do Mundo e carnaval.

Todos somos negros quando a vida nos diz não

[08/07/2008]

06/07/2008

Distante dos prédios, distante das flores

Às vezes fico pensando em levar uma vida razoável. Penso que assim as coisas seriam muito mais fáceis. A gente fala em precisar de tão pouco para viver e esquece que viver de sonhos já é muita coisa. Queria ter uma noção de felicidade - ela existe? - um pouco menor, com a qual eu me contentasse em ter um emprego careta e que me pagasse uma quantia de pilas ao final do mês suficiente para as cervejas dos sábados e domingos e ao menos uma janta num lugar bacana vez em quando. Agora me dou conta que minha vida era assim tempos atrás, e talvez fosse isso mesmo que eu queria: pessoas impermeáveis, favelas umbilicais plásticas e uma rotina nublada feito dia cinza de meia estação. Me ponho em dúvida se não seria mais fácil e em questionamento sobre várias coisas, incluindo a retomada acadêmica, agora no campo da saúde, pois fico pensando no "para quê isso", se não no bem-estar próximo. A questão é que nunca precisei de muito dinheiro (graças a deus), e um trabalho formal e de acordo com a CLT bastaria muito com as necessidades (ou seriam vontades?) faladas lá em cima. E quando digo no bem-estar do próximo, e que isso me gera dúvidas, não é a toa, pois tem um tempinho ando vivenciando algumas coisas, tanto dentro da classe média quanto em "vilas de restos possíveis", e a crueldade do ser humano se desenha como sombra mais íntima em qualquer uma dessas geografias psicológicas. Até mesmo nos lugares mais pobres a reprodução da sociedade é uma constante, com oprimidos, opressores, quem tem um pouco mais e quem tem um pouco menos, aumentando as distâncias invisíveis que se disfarçam de proximidade necessária. E aí eu me pergunto se não é um tanto presunçoso achar que "eu tenho que cumprir a minha parte" e ser o responsável pela mínima diferença que isso possa ter na vida de algo / alguém ou de algum lugar. De repente isso seja mais uma competição na qual adentramos de forma inconsciente (as guerras frias do nosso "ser-mundo"), já que estamos sempre nos protegendo no fato de termos que nos superar o tempo inteiro e também de provar de forma silenciosa que somos "melhores" do que as outras pessoas que julgamos (sim, todos fazemos isso e a todo o instante) serem medíocres e de plástico.

Respostas? Dúvidas? Remédios? Não sei. Sigo "respirando".

Minha Felicidade

A minha felicidade, felicidade clandestina
Distante das flores e de outros prédios
O cheiro do mundo lá fora
Ao redor da violência da minha paz.

O "amor" logo cedo às pressas,
Um remédio para o que não tem cura.
Aos cuidados do meu silêncio
E na proteção das minhas sombras covardes.

Distante dos prédios, pra fugir.
Distante das flores, pra não sorrir
Minha felicidade pra fugir, pra não sorrir.

27/06/2008

Aproxime as distâncias...

Falemos então um pouco de amor (não o amor plástico, carente e de necessidades, mas sim o amor que constrói, feito ódio romântico que "sangra" o útero dos dias). Essa poesia foi escrita para dois amigos com amores distantes enquanto aquele momento se desenhava. Eles sabem quem são...

Aos cuidados dos sonhos

Vou, no caminho das horas
Um sorriso pintado no esquecido
E as mãos dadas em tuas lembranças

Vôo, por cima dos dias
Com asas de palavras
Pelas nuvens do céu da tua boca

Cheiro, a rosa dos ventos
O incenso das cores dos nossos instantes
E o calor do silêncio

Chego, nas janelas das idéias
Onde as estrelas apontam os dedos
E um boa noite se faz serenata

Descanso, e te protejo no meu sono
Onde a distância é não dormir
Aos cuidados dos sonhos


22/06/2008

Dois olhos de ódio que silenciam o inseguro

Talvez a coisa mais carregada e doída que eu tenha escrito. Tem quem diz que o mundo é lindo (e disso não discordo), mas o problema, em minha opinião, é o que transita por cima dele. Daí a importância de levantarmos a bundinha do sofá e termos não só o pensamento, mas principalmente atitudes além umbilical. O cheiro do mundo lá fora não é agradável, mas é onde dá pra chegar de bicicleta. Se conhecessem Seu Luís entenderiam do que eu falo...

Prelúdio

Era uma vez, o prelúdio das rosas
As mentiras que inventam a infância
E os espinhos de carne que matam a esperança

A pior inocência anuncia o sorriso da tristeza
Imagem curtida pela fé em nossos íntimos pesadelos
E na sinceridade dos falsos valores da beleza.
Dois olhos de ódio que silenciam o inseguro
A idade, a graça e o choro de tempo curto
Os machucados, o ingênuo, o medo do escuro.

Era uma vez, o prelúdio das rosas
As mentiras que inventam a infância
E os espinhos de carne que matam a esperança

E nos braços recém batizados mas já quase idosos,
A violência se desenha maior que a esperança
Onde a miséria se faz escola para bandido
E o ódio se aprende na infância,
Quando se corta o umbilical dos sentidos.

Aí, somos as vítimas da nossa própria culpa
Aí, nossos dias já não combinam com a rua
Aí, a distância que nos separa dessa gente é a pior ajuda.

Era uma vez, o prelúdio das rosas
As mentiras que inventam a infância
E os espinhos de carne que matam a esperança.

23/10/2007

19/06/2008

Velho Tempo

Como fosse um parabéns, para mim tem um sentido muito especial. Não somente por ter sido escrita por mim, mas também pelo fato de algumas coisas já terem acontecido dentro do imaginário que ela possibilita. É o tempo, infinito que se acaba, memória de futuro, professor justo e sereno. Só ele. Respeito máximo.

Velho Tempo

Tempo que vai e que passa
Tempo que ainda vai nascer
Tempo que ensina e aprende
Tempo que ajuda a esquecer

Ai, ai, ai Velho Tempo
Vai e me leva com o vento.
Ai, ai, ai Velho Tempo
Vem e me traz um momento

18/06/2008

ChamaLuz

Das bandas de Maceió e das boas bandas de lá, escutem "Chamaluz". Poesia das boas, sonoridade que nem se diz e pessoas maravilhosas, trabalhando com o que eu considero fundamental enquanto indivíduo e cidadão que tem a arte como companheira íntima e próxima. Abaixo, Ctrl C Ctrl V do projeto das meninas (Tidão, desculpa aí pelas meninas, mas vamos pela maioria!). Vale a pena a leitura. No mínimo, interessante. Abaixo do vídeo, a composição "Passarinho", que dei de presente para o grupo, tendo a segunda parte concluída pela talentosíssima Juliana Barbosa.
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O Projeto

Por meio de oficinas de música, circo e fanzine (meio de comunicação artesanal), as ações do projeto pretendem despertar o olhar do jovem para a feira. Entendê-la como local ideal para a pesquisa por ser lugar de diversidade e riqueza de manifestações humanas. Valoriza-se assim a feira enquanto local de troca, não somente comercial, mas intelectual, artística e cultural.

Dessa forma, o projeto incentiva jovens a ingressar no processo de conhecimento de sua realidade, estimulando a auto-estima, fazendo-os reconhecer a cultura local e inserindo-os no processo criativo, para enfim produzir arte com simplicidade, a partir de elementos encontrados na sua localidade.

O projeto acontecerá em 03 municípios alagoanos: Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte e Viçosa, sendo composto por 04 etapas:

• Espetáculo do grupo ChamaLuz numa saudação aos moradores;
• Visita à feira e locais das cidades, estimulando a descoberta de elementos que possam ser utilizados para fabricação de instrumentos, produção de som e confecção de elementos circenses;
• Realização das oficinas de música, circo e fanzine;
• Apresentação-cortejo pela feira, com o intuito de apresentar à comunidade o que foi produzido no decorrer do projeto. Nesse momento também serão distribuídos os fanzines confeccionados, contendo registro das impressões e informações sobre as atividades.

Como nasceu a idéia?

Pensando em diversidade cultural e troca de conhecimento surge o Projeto Circo, Música e Feira: Arte em cheio!. Ao observarmos a feira como um ambiente não apenas de comercialização de produtos, mas também de intercâmbio cultural, enxergamos a possibilidade de um projeto que envolva, de maneira simples e efetiva, elementos sociais transformadores: arte, educação, comunicação e a juventude.

Há na feira livre um caráter histórico, ela é um dos espaços públicos mais antigos, surgida na Idade Média e disseminada em todo o mundo, cada uma com sua identidade específica. Ligar feira e arte significa compreender que o homem que tem racionalidade e comercializa seus produtos a partir de processos interativos e, em muitos casos, artísticos, é o mesmo homem que tem sensibilidade e é capaz de expressar suas idéias, extravasar sentimentos através do corpo, criar movimentos, gestos, fala, silêncio..., pois todos temos instinto lúdico. Assim sendo, vemos na feira um lugar situado além da simples troca de produtos por dinheiro, vemos um espaço de construção do instinto lúdico humano ao longo da história, que se manifesta na fala rápida dos vendedores, nos emboladores com seus pandeiros nas feiras do interior, no ir e vir de carregar mercadorias, entre tantos atos ali presentes.

Equipe
ChamaLuz Tido Moraes
Vera Marinho
Fernanda Fassanaro
Juliana Barbosa
Dandara
Coordenação Nicolle Freire
Direção Artística Ivana Iza
Assesoria de
Comunicação
Keka Rabelo
Webmaster Artur Finizola
Registro Audio-Visual e Fotográfico Paulo Marcondes
Sérgio Melo
Arte-Educadores Tido Moraes
Vera Marinho
Fernanda Fassanaro
Logo Original Pedro Lucena

Links

www.estudiolivre.org/el-user.php?view_user=chamaluz
www.myspace.com/bandachamaluz
www.flickr.com/photos/chamaluz
www.orkut.com/Community.aspx?cmm=20531654
www.bandachamaluz.blogspot.com




Passarinho
[dasluzes, Juliana Barbosa / ChamaLuz]

Passarinho que voa baixinho
é porque tem algo para me contar
e agradece a papai do céu
pelas duas asas que tem pra voar

Pra voar por todos os lados
Pra voar pelo encantado
Pra voar lá bem pelo alto


Passarinho que com o seu canto

espantou meu pranto de tanto esperar
agradece a papai do céu
pelo seu amor para poder sonhar

Pra voar por todos os lados
Pra voar pelo encantado
Pra voar lá bem pelo alto


16/06/2008

Osório - Terra dos Ventos I

Maçambique

Há muito pesquiso este folguedo "próprio" do litoral gaúcho, mais especificamente da cidade de Osório. Quando escrevo próprio entre aspas, é porque, na verdade, dessa maneira como ele se configura, e com esse nome, só em Osório, segundo eles mesmos. E ainda, indo um pouco mais afundo, Osório é onde acontece a festa de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, ocasião esta em que os vídeos abaixo foram gravados. Quando em São Benedito, a festa acontece em Aguapés, distrito próximo a Osório, no mês de maio. São basicamente todos da mesma família, tios, primos, irmãos. "Tudo a mesma parentalha", dizem. Moram em Maquiné, Morro Alto, Aguapés, Caravaggio (bairro da periferia de Osório). Os vídeos abaixo foram gravados na última festa de Nossa Senhora do Rosário, que ocorreu entre os dias 04 e 07 de Outubro de 2007.







Maçambique no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=5362702

11/06/2008

A Fogosa da Chica

Há aproximadamente um ano atrás saía do forno este vídeo, "A Fogosa da Chica". É uma espécie de vídeo promocional da cachaça Chica, feito em parceria com o grupo de teatro de bonecos "A Divina Comédia" e a produtora "Distúrbio Produções Audiovisuais". É também o primeiro registro sonoro oficial do grupo do qual faço parte, Banzo Esperança (aguardem, em breve novidades). Embora aí a bateria seja uma programação realizada através do REASON, hoje essa música é tocada com baixo, guitarra, bateria e percussão e em breve também cantada (segue letra abaixo do vídeo). Lembro que iríamos fazer todo o registro dela de forma orgânica, mas a distância do estúdio, situado na Grande Porto Alegre, a chuva, vento e frio que insistiam em perturbar a saída para rua, o prazo de entrega e também uma febre violenta de 41º que me atingiu fizeram com que tudo fosse feito entre a tarde e o início da noite (pelos meninos, eu tremia sobre a cama). Abaixo, os créditos do trabalho.

A Fogosa da Chica
Roteiro: Ivânia Kunzler
Concepção, cenário e manipulação: Marcelo "Tcheli"
Direção, texto, câmera e edição: Guilherme Carlin
Trilha Sonora: Banzo Esperança
Música: Lucas Selbach / Ismael Oliveira - Arranjo: Lucas Selbach, Filipe Narciso e Ismael Oliveira
Baixo: Filipe Narciso
Guitarra: Lucas Selbach
Programação de bateria: Ismael Oliveira / Lucas Selbach
Mixagem: Lucas Selbach
Vozes: Guilherme Carlin (câmera) / Pedro Jatobá (apresentador)



Das Tripas [caxêfoxica]
(dasluzes / Banzo Esperança)

Das tripas, ao bucho cheio de tudo de ontem.
Nas tripas, as paixões ardidas de um homem.


10/06/2008

Prato-do-dia

Esse gente que acorda sem querer dormir
Com o sorriso cansado ainda de ontem
E que carrega nos olhos todo dia uma cruz
Perto do atraso pras coisas mais simples que sempre se quis.

Que sustenta a casa suada pelo peso das horas
Que sufoca o copo de água em cada memória.

Essa gente que canta sem poder se ouvir,
O som do descanso dos sonhos na hora de não dormir.

E desafia o violão quando a intimidade é inteira,
A sombra veste cor, no espelho a beleza
O aperto do dia é esquecido e a família está na mesa.


04/05/2008
A idéia dessa música veio logo após o show da banda de uns amigos, Carne de Panela. O ser humano como o "prato-do-dia", frente aos monstros que tentam nos devorar. Ao final do dia, a comida e a família na mesa, aliviando a fome de gestos pequenos e fortes. Era para o repertório deles, vamos ver o que acontece.

09/06/2008

O Vento

O tempo e o vento configuravam rumores de futuro,
A boca em cãibra mastigando mentiras de guerra
A tragédia entre o homem e a natureza
Um susto de poeira e assobio
A dança dramática da velha certeza.

Meus lábios beijando o rosto do vento,
Um pedaço de carne que nina o sono da noite
"Noite dos ventos, noite dos mortos!"¹

Aqui, perto das curvas onde o vento se assusta
O vento caminha entre bêbado e o desespero
Tropeça na calma e alaga a lágrima

Era serenata na janela, canção de qualquer tempo
O batuque dos ausentes, música do silêncio

"Se depois de todas as tempestades vêm tais calmarias
Então que soprem os ventos até acordar a morte!"²

A morte, reticências pra certeza de mais uma dúvida
Interrogação sem resposta

O tempo e o vento anunciam angústias do nosso momento!


07/10/2004
01.: O Tempo e O Vento / Érico Veríssimo
02.: Otelo / Shakeaspeare